China deve liderar retomada global do mercado de seguros

A China liderará a retomada com um aumento estimado de prêmios no próximo ano de 10% no ramo não-vida, e de 8,5% no ramo vida

Publicado às 10/11/20 16:35

O produto interno bruto mundial deve contrair 4,1% este ano, o que, até então, representa a maior  recessão da economia global. O mais recente estudo sigma, do Swiss Re Institute, “Rebuilding  better: global economic and insurance market outlook 2021/22,” prevê uma recuperação lenta e irregular em 2021. O prognóstico de  crescimento do produto interno bruto (PIB) global é de 4,7% em 2021,  em termos reais, abaixo da expectativa de mercado de 5,2% de  crescimento, liderados principalmente pela China. Nesse contexto, o estudo sigma mostra que o impacto do  choque econômico causado pela Covid-19 no mercado global de  seguros foi menor do que o Swiss Re Institute antecipava em junho de  2020.

Em 2020, estima-se uma queda, em termos reais, de 1.4% dos  volumes totais de prêmios, que é também abaixo da queda de 2,8%  antecipada anteriormente. A previsão é que o crescimento dos prêmios  deve retomar rapidamente, atingindo 3,4% e 3,3% em 2021 e 2022, respectivamente, apoiado por um fortalecimento contínuo de tarifas.  

Observando os níveis de resiliência econômica dos países, a pandemia  afetará cada economia em função da sua capacidade de absorver choques e  da sua política governamental. Dados preliminares sugerem que as respostas fiscais serão o principal diferenciador. Entre as grandes economias  avançadas, antecipa-se que o Reino Unido, o Japão e os EUA serão os países  cujas reservas fiscais serão mais afetadas.  

A desigualdade de rendimentos ficará mais acentuada, pois muitos  empregos de baixa remuneração desapareceram durante a recessão, e o  mercado de trabalho será mais gravemente afetado do que os dados oficiais  indicam. Por exemplo, a taxa oficial de desemprego permaneceu surpreendentemente estável, em cerca de 7,9%, na área do euro. A taxa de  desemprego-sombra, contudo, que leva em consideração trabalhadores  inativos, de licença, bem como os oficialmente desempregados, atingiu  quase 25% na Alemanha, Reino Unido, França e Itália, as quatro maiores  economias da Europa.  

“Para uma recuperação econômica sustentável, precisamos de uma  redefinição das políticas públicas. Elas devem se concentrar em áreas como  infraestruturas, tecnologia e clima. A construção de novas infraestruturas  sustentáveis terá um grande impacto no crescimento do PIB,” afirmou  Jerome Jean Haegeli, economista-chefe do Swiss Re Group.  

“Além de gastar de forma mais inteligente, os legisladores deveriam recorrer  mais a parcerias público-privadas e estabelecer quadros operacionais e  regulatórios para uma melhor reciclagem do financiamento privado, como os  fundos de seguros, na economia real,” afirmou Haegeli. 

Ao expandir o seu alcance digital, o setor de seguros pode contribuir para um  crescimento mais inclusivo, visto que para um número crescente de pessoas, o mundo online já faz parte do cotidiano. Através da análise de dados, as seguradoras poderão compreender melhor as necessidades do consumidor, o que lhes permitirá criar ofertas mais personalizadas e acessíveis, como as  apólices pay-as-you-go (pagamento feito na medida do uso). Com acesso a  uma compensação financeira quando necessário, tanto domicílios quanto empresas poderão melhor resistir aos eventos de perda. Ao melhorar a  capacidade subjacente de uma economia de absorver choques,  aumentamos a sua resiliência.  

Os mercados de seguros resistem bem à adversidade 

A demanda de seguros nos mercados avançados foi melhor do que o  esperado na primeira metade de 2020. Tendo em junho antecipado uma  estagnação, o Swiss Re Institute prevê agora que os prêmios globais no ramo  não-vida crescerão 1,1% este ano, voltando a uma média anual de  crescimento de 3,6% em 2021 e 2022. Espera-se que os volumes já  estejam acima dos níveis anteriores à pandemia no fim do próximo ano. O  prognóstico de crescimento dos prêmios no ramo não-vida em mercados  avançados é de cerca de 3% em 2021 e 2022, liderados pela China e os  EUA, onde um aumento das tarifas de seguros comerciais estimulará os  prêmios. A China continuará sendo o mercado de crescimento mais rápido  com um aumento estimado anual dos prêmios de até 10% nos próximos dois  anos, em grande parte graças a negócios robustos no setor de saúde. Os  outros mercados emergentes desfrutarão de um crescimento agregado de prêmios de quase 4% ao ano. 

O ramo vida foi o mais afetado pela recessão econômica deste ano,  prevendo-se uma contração dos prêmios globais de 4,5%, em um ambiente  de desemprego crescente e menor poder aquisitivo. No entanto, é uma  queda menor do que a de 6% prevista em junho, graças a um crescimento de mercado maior do que o esperado nos EUA. O ambiente de baixas taxas de juros pesou no setor, pois os produtos de poupança ficaram menos atraentes.  Não obstante, o Swiss Re Institute também prevê que o ramo vida retomará  rapidamente uma tendência de crescimento de 3% em 2021, devido à  recuperação econômica. A retomada será liderada pelos mercados  emergentes, principalmente a Ásia emergente, com um crescimento previsto  de prêmios de 6,9% em 2021 (e de 8,5% na China). O aumento da  conscientização sobre o risco após a Covid-19 será um dos agentes  propulsores principais da recuperação do setor. Uma pesquisa da Swiss Re  realizada após o surto do vírus indica um aumento da intenção de compra  dos consumidores de seguros de vida e de saúde. Outro agente propulsor  será a rápida adoção da digitalização no setor de seguros. 

K.L.
Revista Apólice

Fonte: https://www.revistaapolice.com.br/2020/11/china-deve-liderar-retomada-global-do-mercado-de-seguros/