Pix deve auxiliar na modernização do mercado segurador e baratear apólices

Durante webinar realizado pela Fundação Getúlio Vargas em parceria com a BMG Seguros, a superintendente da Susep afirmou que novo modelo trará mais inovação para o setor

Publicado às 13/10/20 18:52

EXCLUSIVO – O novo sistema de pagamento eletrônico do Banco Central, o Pix, já abriu o processo de cadastramento e chega oficialmente em novembro para toda população. O modelo visa transformar o mercado financeiro nacional, proporcionando mais agilidade em realizar pagamentos e transferências para qualquer pessoa e em qualquer lugar, além de diminuir os custos de transações bancárias. Em três dias após a liberação, que ocorreu na última segunda-feira, 5 de outubro, foram realizados 21,09 milhões de cadastros pelos canais digitais dos principais bancos e fintechs do Brasil.

Mas afinal, como o novo modelo afeta o mercado de seguros?

Para falar sobre esse assunto, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) realizou ontem, 08 de outubro, mais um ciclo de webinars promovidos em parceria com a BMG Seguros. Dessa vez a transmissão ao vivo teve como tema “O papel da infraestrutura de mercado no desenvolvimento do segmento de seguros no Brasil”. O painel foi moderado por Jorge Sant’Anna, diretor-presidente da BMG Seguros; e Gesner Oliveira, coordenador do Centro de Estudos de Infraestrutura & Soluções Ambientais da instituição. Participaram do debate Solange Vieira, superintendente da Susep; Otávio Damaso, diretor de Regulação do BC; e Sérgio Odilon, consultor de mercados financeiros e de capitais.

O mercado segurador, através de seus produtos, regulação e capacidade financeira, é um componente importante em qualquer projeto de infraestrutura, pois é um dos segmentos que mais cresce no Brasil, e com o Pix é esperado que mais investimentos sejam feitos no País. Segundo Damaso, o processo de inovação no molde atual é inevitável, e o regulador tem como objetivo tornar o sistema eficiente e sólido. “Quando digo isso é uma eficiência em todas as suas dimensões: produtos e serviços bons para a sociedade. Algumas vezes, nós, reguladores, nos deparamos com algumas instituições que não percebem nosso papel nesses processos. Os players devem ver essas mudanças como oportunidade, não como desafio ou afronta”.

De acordo com Solange, proporcionar uma regulamentação do mercado mais efetiva, oferecendo orientação nos negócios em parceria com as companhias do setor e empresas que atuam com projetos desse nível, será fundamental para que o índice de investimentos aumente. A superintendente comentou sobre algumas medidas que a entidade vem implementando, e uma delas foi a criação do Sistema de Registro de Operações (SRO). Com a nova ferramenta, a autarquia espera reduzir o custo de observância regulatória, modernizar a captação de dados junto ao mercado e estimular a eficiência do setor ao combate a fraudes. “Estamos desregulamentando o mercado, permitindo a criação de produtos que se adéquam a um mundo tecnológico, no qual a inovação tem impulsionado mudanças rápidas”, disse.

Ela ainda afirmou que a chegada do Pix será importante para o mercado segurador, pois os pagamentos serão mais flexíveis e terão custos menores, o que irá gerar uma redução nos custos das apólices. “Quando falamos em microsseguro, alguns produtos não fazem sentido pagar boleto bancário, por exemplo. Com o Pix vamos baratear o sistema de pagamento e impulsionar o segmento”. Solange completou dizendo que o resultado do Sandbox Regulatório também irá proporcionar mais ousadia e inovação para o setor, afirmando que a Susep deve entrar para o Open Insurance em 2021. “Com toda essa movimentação, a entidade poderá ter uma análise de risco mais elaborada, o que gera competitividade. Estamos bastante animados com essa agenda e esperamos fazer com que o seguro seja cada vez mais acessível”.

Nicole Fraga
Revista Apólice

 

Fonte: https://www.revistaapolice.com.br/2020/10/pix-deve-auxiliar-na-modernizacao-do-mercado-segurador-e-baratear-apolices/